BICHO
HOMEM: UMA SÍNTESE DE TODOS OS ANIMAIS
Autor:
Newton Silva
Há
muitos milênios ou milhônios, li um conto do pessimista, cômico,
irônico, sarcástico e genial mestre Machado de Assis. Nesse conto
ele falava de um cientista louco, que, naqueles tempos hipocráticos,
fazia experiências com seres humanos para descobrir suas motivações
e curar suas taras partindo do princípio de que o homem é a síntese
de todos os animais, e lá estava ele procurando o animal de cada um
através de cirurgias exploratórias.
Isto
me fez pensar em quanto o homem reproduz em sua natureza e cultura, a
natureza e a “cultura” dos animais. Senão vejamos.
Algumas
espécies de patos da Inglaterra, os veados com seus majestosos
chifres ramificados e algumas raças de gorilas são rigorosamente
monogâmicos, por isso, quando encontram os seus respectivos pares,
formam casais unidos, fiéis e inseparáveis por e para toda a vida.
E quando um dos companheiros morre o outro morre também algum tempo
depois de tristeza. Romântico, não?
Esse
amor romântico não é o que inspira tantos escritores e cineastas?
Isto me faz pensar em tantos casais humanos, que não chegam a tanto,
mas envelhecem juntos e nunca se separam, só a morte os separam,
felizes e anônimos, pois os casos que vêm a publico e se tornam
famosos tendem a não acabar bem. Não lembram de Romeu e Julieta,
Tristão e Isolda, Lancelot e a prometida para o Rei Artur, Hero e
Leandro (na Grécia Antiga) e tantos outros que o teatro, o cinema e
a literatura consagraram?
Algumas
raças de gorilas são poligâmicas e montam um harém, onde um macho
dominante, machão e chauvinista é o único galo do pedaço, marido
de todas as fêmeas da família, embora aceite a permanência de
machos dominados, contanto que eles não tentem chifrá-lo e aceitem
o papel de eunucos do harém. Qualquer semelhança com costumes de
certas sociedades humanas, geralmente orientais, é mera
coincidência, será?
Fico
pensando no Rei Salomão e suas oitocentas esposas e duzentas
concubinas, numa época em que não existiam maridos auxiliares.
Também me lembro dos rajás e marajás indianos e dos califas
árabes, naquela fase áurea do grande império árabe do tempo das
MIL E UMA NOITES. Não podemos esquecer da poligamia ocidental
exercida na informalidade e aparente invisibilidade pelos poderosos e
ricos de plantão.
Os
equinos, muares e bovinos selvagens formam pelotões em que o líder
segue à frente do primeiro pelotão formado por suas esposas,
mantendo a distância regulamentar o primeiro sub-líder o segue com
formação semelhante, e assim por diante, sendo possível que o
último pelotão não tenha fêmeas suficientes ou não tenha fêmeas
e tenha muitos idosos, cuja função é retardar os predadores.
E
que tal o galo no terreiro num paraíso galináceo, repleto só de
galinhas e todas dele. Tal poligamia talvez não tenha equivalente
humano, mas não deixa de ser a fantasia de muitos espécimens de
homo sex sapiens (homo em latim significa homem, homo em grego
significa igual). Aliás os grandes ídolos da música popular e dos
esportes, atraem multidões de mulheres que aceitariam fazer parte do
harém daqueles que “são chegados”, caso eles quisessem e
tivessem dinheiro para tanto, e assim construírem seus respectivos
paraísos em que eles seriam os únicos galos em seus respectivos
terreiros.
Essa
má distribuição de fêmeas e de mulheres pode ocasionar sérias
injustiças e violação dos direitos sexuais dos animais e dos
humanos, pois há lugares nos dias atuais, em que nas classes mais
baixas sobram homens e faltam mulheres e os homens acabam se olhando
com olhares muito estranhos….
Mais
uma vez me vêm à mente os califas, rajás, sultões, sheiks,
patriarcas, etc. com seus haréns ou suas grandes famílias
poligâmicas, competindo para ver quem tem mais mulheres e as
mulheres disputando para ver quem tem mais filhos. Se prestarmos bem
atenção, iremos descobrir que nos diversos meios sociais existiram
e continuam existindo muitos homens com complexo de galo, garanhão,
touro e/ou jumento dominante, usando estratagemas e artifícios
diversos para ofuscar os demais machos e atrair a atenção de todas
as mulheres do pedaço, fazendo a conversa girar em tornos deles e
sob sua liderança.
Descobriremos
também que muitos, homens ocidentais, especialmente
latino-americanos, com posses ou sem posses, implementam verdadeiros
haréns informais, de tamanhos variáveis, montando casas para suas
teúdas e manteúdas. Também deve haver os haréns descentralizados
mantidos pela poligamia enrustida. Quem é que não conhece um caso
pelos menos de um desses galos ou garanhões humanos? O interior foi
e é palco para muitos deles.
O
leão está mais para explorador de mulheres, digo, leoas, do que
para rei. Solteiro, ele trabalha duro, por falta de opção. Casado
com a primeira esposa, ele se limita a assustar a presa com seus
potentes urros, para que ela abata e traga a melhor parte pra ele,
senão ela cai na porrada. Casado com a segunda esposa, ele se limita
a dar uns urrinhos mentirosos, afinal as futuras vitmas terão duplo
assédio gastronômico. E se houver uma terceira esposa, nem urrar
ele quer mais, é capaz de delegar essa função para a leoa de porte
mais atlético.
O
que é curioso é que as três esposas do leão fazem um contrato
moral, segundo o qual a cota de esposas é três, a partir daí o
circuito conjugal é fechado. Elas três não permitem a entrada de
uma quarta esposa, mas é claro que há exceções.
E
não é que existem muitos homens assim, vivem às custa da mulher
que trabalha, enquanto ele alega que não acha emprego porque há uma
crise lá fora e uma crise aqui dentro e por isso não há emprego, e
se ela se fizer de besta entra no cacete. E há casos em que ele tem
mais uma, duas ou três amantes que vivem para sustentá-lo e
trazendo-lhe sempre a Parte do Leão, senão... Eu conheci muitos
maridos tipo leão, que espertalhões.
Os
chipanzés, símbolos do bom humor, gostam de dançar, comemorar,
fazer “macaquices” principalmente com os filhotes, podem brigar
por liderança, mas não por posse exclusiva de fêmeas, pois nas
suas tribos o que rola é a família coletiva, todos os machos são
maridos de todas as fêmeas e todos também se assumem como pai dos
filhotes, que defendem com a própria vida, e não estão preocupados
em cobrar testes de DNA, seria um espécie de comunismo sexual
radical.
É
bem provável que, em muitas tribos humanas primitivas, a família
coletiva à moda chipanzé fosse o costume mais frequente. Os estudos
de Malinovski sobre os nativos e primitivos povos da ilha de
Trobriand, no Pacífico Sul, revelaram que as famílias eram
compostas pela mãe, ascendentes e colaterais, mas não havia a
figura paterna, porque eles não sabiam que havia relação de causa
efeito entre ato sexual reprodutivo em período fértil e gravidez e
nascimento dos filhos.
Eles
acreditavam que as mulheres ficavam grávidas porque tomavam banho de
mar em noite de Lua cheia. Quem assumia a função paterna era o tio
materno, que não tinha relação de marido e mulher com a sua irmã.
Nesse contexto, os críticos de Freud, quanto a acreditar que o
complexo de Edipo era inevitável por ser fruto da biogênese do
homem, exultavam, pois haviam descoberto uma prova de que tal
complexo era e é engendrado pela cultura.
Em
período mais recente da história alguns segmentos sociais dos povos
escandinavos, principalmente, e de outras partes da Europa
empreenderam a construção de famílias coletivas, que foram
reproduzidas por algumas tribos de “hippies”. É evidente que os
humanos nesse ramo não foram tão competentes quanto os nossos
irmãos chipanzés. Tem-se notícias de tempos pré-históricos em
que os casamentos e as famílias eram coletivas. A sabedoria chipanzé
criou uma sociedade em que não há órfãos e nem viúvas.
Todavia,
no reino animal, há também os matriarcados, dentre os quais quero
destacar o elefante. As manadas de elefantes são “sociedades”
matriarcais, em que a liderança é conquistada por mérito,
demonstrado em um torneio de artes paquidérmicas. Melhor dizendo é
um matriarcado amazônico, considerando que uma tribo elefântica ou
aliática é constituída exclusivamente de fêmeas adultas e
crianças.
Os
elefantes-machos quando vão chegando à pré-adolescência são
expulsos pelo governo da tribo e por não saberem viver em grupo eles
se dispersam e levam uma vida solitária, passando por um grande
teste de sobrevivência. Os que sobrevivem aos predadores, têm o
mérito de terem feito uma devastação na população dos ditos
predadores. Um dia regulados por instinto, eles se encontram com as
fêmeas do seu bando, justamente na época em que elas vão entrando
no cio e por isso aceitam a presença deles para fins de
acasalamento.
Passada
a lua-de-mel com muito sexo da pesada, eles vão embora para seguir
suas vidas e o bando de aliás segue também a sua, para gerar e
cuidar dos novos bebês e viver conforme as regras de convivência
estabelecidas pelo grupo. Diga-se de passagem, as aliás são muito
mais generosas, civilizadas e mentalmente mais saudáveis do que as
Amazonas, mencionadas na mitologia helênica, pois estas após a
lua-de-mel, matavam os seus parceiros e as crianças do sexo
masculino, assim que nem as viúvas-negras.
Sem
chegar a esse extremo, a família germânica na Antiguidade Clássica,
já no crepúsculo do Império Romano, era matriarcal e alguns
historiadores e antropólogos atribuem a esse predomínio da grande
Mãe a supremacia dos chamados bárbaros sobre as legiões romanas, o
que levou à destruição do maior Império formal de todos os
tempos.
Algumas
sociedades anglo-germânicas involuíram ou evoluíram para
patriarcados, em parte pela identificação com o patriarcado romano
e em parte pelo patriarcado judaico-católico. Mas a força do
matriarcado nesses povos é tão grande que os Estados Unidos é um
matriarcado. Quem não lembra das histórias de Ferdinando, filho de
Dona Chulipa e marido de Violeta?
Uma
sociedade, difícil de entender lá oriente distante, é representada
pelo Nepal e vizinhanças. Naquelas lonjuras e alturas onde predomina
o machismo e patriarcalismo oriental, vamos encontrar povos
poliândricos (poliandria é a poligamia feminina), em que uma mulher
pode ter até onze maridos, com direito à reposição do harém, por
morte de um ou mais dos seus esposos. São povos caçadores e quando
uma expedição vai à caça, geralmente alguns maridos não voltam e
para garantir a continuidade da família e do amparo às crianças
esse modelo de família deve ter surgido, pelo menos é que afirma
Linton, em sua Antropologia.
Essa
notícia deve deixar muitos machos humanos ocidentais bastante
indignados, muitas mulheres assustadas e perplexas, muitas curiosas e
algumas muito interessadas. A grande vantagem desse modelo de família
é que é quase impossível existir filhos totalmente órfãos e
mulheres totalmente viúvas, mas a grande desvantagem para os homens
é que se esposa morrer haverá onze viúvos. Será que eles arranjam
uma segunda esposa com facilidade?...
Assim
como aconteceu à maioria dos animais domesticados que vivem em
cativeiro físico ou psicológico, os cães foram impedidos de
amadurecer e se tornarem adultos em todos os sentidos, eles crescem
fisicamente, se tornam até capazes de reproduzir, mas mentalmente
permanecem crianças. Eles sucumbem ao poderio de uma cultura
infinitamente mais poderosa, que lhe dá abrigo, proteção contra o
extermínio, cuidados médicos, segurança, alimento e atenção, mas
que em contrapartida roubam-lhe a alma, despojam-nos de sua
“cultura”, tiram-lhe a identidade e os tornam irresponsáveis e
dependentes, evolução roubada.
Sem
as referências de sua família e cultura animal, sem os desafios da
vida selvagem, sem o exercício da vida coletiva em matilha, eles não
sabem quem são, não constituem famílias, não constróem os seus
covis, não dividem o trabalho com a sua ou suas fêmeas para
defender e criar os filhotes, não se tornam provedor e não assumem
os filhotes. Sem essas referências que fazem um cão ser um cão de
verdade, eles ficam imaturos, tornam-se filhinhos dos donos ou das
donas, professam a religião do banda voou, ninguém é de ninguém e
cultivam as amizades coloridas, se tem uma fêmea cio, eles querem
cobrir, e uma fêmea domesticada, no cio, atrai e aceita todos os
machos que se candidatarem a cobri-las até baixar o seu fogo.
Se
os pais humanos não reaprenderem criar seus filhos e os criarem
progressivamente como se cria cachorros, iremos cada vez mais
produzir em massa filhos do carnaval, filhos da balada, filhos do
pagode, filhos do Funk e outros filhos da irresponsabilidade... Cada
vez mais os nossos jovens se comportarão como os cães domesticados
e abandonados nas ruas e cada vez mais, nós ouviremos: “E as
preparadas, as poposudas e as cachorras... Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!..”
Curiosamente,
os animais em vida selvagem levam um ciclo de vida lógico e linear,
limitando-se ao necessário para sobreviver. Nascem, alimentam-se,
crescem, lutam pela sobrevivência, reproduzem-se, envelhecem e
morrem, se tudo correr bem, senão poderão morrer em qualquer fase
do ciclo. Eles não têm tempo para sexo lúdico, não conhecem a
menstruação, não se masturbam e não inventam comportamentos
exóticos ou não reprodutivos.
Os
pombos são tão carinhosos e românticos em todo processo do
acasalamento, ou seja, no cortejo, preliminares, comportamento
instrumental e comportamento consumatório. Por isso eles foram
adotados durante muito tempo como símbolo do amor conjugal bem
sucedido, caracterizado por ser harmônico, correspondido, prazeroso,
sintonizado e fiel.
Mas
os estudos da biologia do comportamento constataram que tudo isso é
válido até o final da lua-de-mel. Mas quando as rotinas necessárias
de uma vida a dois são exercidas, por uma questão de sobrevivência
e perpetuação da espécie, e compartilhadas pelo casal, poderá
acontecer abandono de lar e da prole.
Num
casal de pombos é comum, após a postura de ovos, a tarefa maternal
de chocá-los ser dividida entre o marido e a esposa. Sendo assim,
após um período de chocagem, a fêmea deixa o seu companheiro no
seu lugar, chocando os ovos e sai para satisfazer suas necessidades
de atividade física, ingestão de alimentos, excreção de resíduos
sólidos, líquidos e gasosos, etc. E assim eles vão se revezando
para cumprir a missão gestacional do casal.
Pode
acontecer que, em alguns desses rodízios, algumas fêmeas ou machos
não voltem para os seus respectivos lares. Os motivos, geralmente
não são acidentes fatais de percurso ou ações de predadores,
porém é a fêmea que foge com outro pombo (existe pombo Ricardão e
como) e vai constituir novo lar, enquanto o coitado do ex-marido fica
a esperar até perder a esperança no retorno da sua amada.
Acreditando que ela foi vitima de uma fatalidade, o marido abandonado
aceita a missão de se tornar pai e mãe, ou seja, Pãe.
Há
casos em que a disputa pela fêmea é tão demorada, nas manadas de
caprinos e ovinos, que as fêmeas mais impacientes e imediatistas
fogem para um local afastado com um macho adolescente e com ele se
acasala. Para quem não sabe dois carneiros disputando uma fêmea,
por exemplo, travam um verdadeiro duelo, em que eles dão as costas
um para o outro e se afastam em direções opostas, como se
estivessem medindo a distância com os passos, e param no ponto de
início do combate. Depois dão meia-volta volver, trocam
impropérios, cavam o chão com uma das patas dianteiras, partem a
toda velocidade e entram em violenta colisão frontal, um caso para a
Transalvador. Caem tontos, levantam-se e recomeçam. A fêmea fica
assistindo ao espetáculo, em que ela é o troféu, torcendo por um
dos dois ou contra os dois, e se o duelo é muito longo, ela se põe
a bocejar...
Comecei
o texto citando algumas raças de gorilas e de veados que são
monogâmicos e fiéis até a morte. Mencionei o pombo que já foi
símbolo de casal monogâmico, romântico e fiel, como exemplo de
falsa monogamia. Qualquer semelhança com os humanos mais uma vez não
é mera coincidência. E em seguida falei das fêmeas que rompem com
os padrões rituais estabelecidos e transam com um bode ou carneiro
da sua escolha, numa atitude indubitavelmente feminista.
Todos
os exemplos citados acima são provas irrefutáveis de que o seres
humanos ao longo da história e na vida atual, reproduziram e
reproduzem a cultura, os costumes e as espertezas do mundo animal, de
várias espécies. Homens-Galos, Homens-Cavalos e Homens-Touros eram
muito comuns no tempo de nossos avós, quem não se lembra de um caso
da roça, eu mesmo não esqueço de um tal de Janjão do Pau Ferro,
lá da Bahia, que teve seis mulheres e mais de cinquenta filhos.
Homens-Leão vivem dando urros e a esposa ou as esposas se matando de
trabalhar para dar a parte do leão para eles. Homens-Gamos ou
Homens-Gorilas do Bem, com seus romances tipo Romeu e Julieta bem
sucedidos, só separados pela morte, são raros, raríssimos, mas
existem. Mulheres-Pães a guisa das pombas que são abandonadas pelos
maridos e tem que criar os filhos sozinhas, são mais comuns, mas
também à semelhança do pombos que são abandonados pelas esposas,
encontramos alguns Homens-Pães, que fazem o duplo papel e criam os
filhos sozinhos, conheci dois casos.
Quem
não conhece casos de mulheres ricas que fogem na garupa do cavalo
com rapaz pobre, driblam a jagunçada e vão se casar em lugar bem
distante? Situação semelhante é a de mulheres brancas em contexto
racista que fogem e até emigram para outro país, a fim de se casar
com homens negros.
Nesse
estudo fica a provocação segundo a qual a cultura humana,
principalmente, no referente às formas de acasalamento e
constituição de família, são reproduções das “culturas” de
várias espécies e/ou raças animais.
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Este
candidato a ensaio científico-literário foi influenciado pelas
seguintes referências bibliográficas:
Linton,
Ralph – ANTROPOLOGIA...
Autores
Diversos – PANORAMA DA BIOLOGIA.
Autoras
Diversas – O PODER DA MULHER...
Moris,
Desmond Moris – O MACACO NU e A FAUNA HUMANA
Muitas
Edições Televisadas da National Geografic Explorer, Discovery
Channel e Globo Reporter, SBT Reporter, Fantástico Show da Vida,
Domingo Espetacular e Planeta Selvagem.
Memórias
das minhas observações dos comportamentos dos meus animais de
estimação
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